A ideia era eu contar como que o fim de semana passado foi importante pra mim. Do fato de eu viajar sozinho apenas porque sim, apenas porque eu quis, sem nenhum tipo de trabalho envolvido, à ter passado cerca de 12h dentro d'água, o que me fez perceber que não, minha pele não vai se soltar tão fácil e que sim, os primeiros passos na terra depois de um longo tempo com uma gravidade menor são REALMENTE estranhos.

Foram dias sem lembrar dos meus problemas -- ou, se eles apareceram na minha cabeça, foi através de soluções e não preocupação --, sem sentir o que é ansiedade, sem me sentir sozinho, sem me sentir desesperado, sem sentir dor. Foram pouco mais de 60h que me fizeram perceber com mais força que eu existo e que eu consigo ser maior e mais forte do que tudo que costuma me derrubar.

Foram dias que me fizeram perceber que toda a tristeza que eu sinto, e que eu estava sentindo mesmo naquele lugar, é algo com que eu devo conviver. Eu preciso pegar aquela pessoinha azul com a voz da Phyllis de The Office, cumprimentar, abrir a porta, mandar sentar, oferecer uma Coca, conversar. Não adianta nada eu ignorar ela tocando a campainha, tapar os ouvidos enquanto ela grita desesperada por atenção. Isso só vai me deixar ansioso e aí a espiral afunda rapidinho.

Claro que não vai ser sempre assim. Claro que eu ainda vou ter meus dias de "Lalalala não tou te ouvindo". Acho até que nesse fim de semana isso aconteceu demais... Mas aí eu lembrei do que a minha psicóloga falou na última quarta-feira. "Escreve. Escreve pra não esquecer, escreve pra você sempre poder voltar e ler". E foi por isso que, dessa vez, não teve um "depois". Foi só uma ida a um sítio, foram só algumas horas dentro d'água, foram só alguns poucos dias com a cabeça em paz.

Mas foi um passo gigantesco pra mim. Um passo recheado de significados e simbolismos que só eu vou entender. Um passo que já está me ajudando a passar por um dos momentos mais difíceis desses quase 36 anos -- difíceis a ponto de nem parecer que eu dei esse passo.

Mas eu dei. E eu vou fazer o possível pra que ele não vá pra trás, até que eu não precise mais me esforçar e consiga dar outro e outro e outro.

Agora é só pra frente.


Depois de uns dias dessa viagem, depois de uns dias desse texto (publicado originalmente no Instagram),  mandei pra Carol, minha terapeuta. Vou deixar aqui o que ela respondeu, mais pra eu lembrar, mas pra alguém que não tenha a menor noção de como funciona terapia, bem, passe a ter. :)

Sobre o texto e seu questionamento, penso que o ponto seja a frase final e a anterior "Agora SÓ pra frente" e "até que possa dar outro (passo) e outro e outro (sem tanto esforço)". Entender que a ideia deve ser essa mesmo. Porém ajustar a expectativa tirando apenas a palavra "só" da última frase. Vai ver que fará toda diferença. E você só não deu o passo seguinte ainda. Mas isso não anula nem invalida os passos dados até aqui. Nem essa experiência e o que sentiu nessa viagem. Ainda não é tão fácil, mas estamos trabalhando pra isso!

Eu não tirei o "só" do texto original. Mas eu sei que, agora, eu devo fazer o possível pra ir pra frente. :)