Há uns anos eu escrevi esse texto aqui contando sobre uma parte da minha vida que, por uma outra grande parte da minha vida, eu levei como piada.

Não mudo nada do que tá escrito nele e vou continuar fazendo piada com aquelas histórias. Mas depois da última sessão da terapia senti a necessidade de questioná-lo.

Já passei muitas vezes perto dessa história, mas foi a primeira em que tudo afunilou no fato de que eu quero e preciso me sentir validado. Que se eu não expresso meus sentimentos, sejam eles quais forem, a quem quer que for, é por essa necessidade que, no começo, eu dizia que era só de aprovação. Mas ela vai mais a fundo... Eu só queria ser levado a sério. Em consideração. Mais especificamente, eu só queria me sentir assim. Sentir que o que eu falo e sinto e penso e faço é considerado por alguém. Não precisa concordar, não precisa gostar. Só... Faz comigo o que eu faço com você.

Siiiim, eu sei o quanto isso é errado e esse é um dos motivos pelos quais faço terapia -- identificar os erros, corrigí-los e caminhar, sempre em frente. Mas aí eu volto no texto que escrevi lá em 2015... Como é que eu posso querer conseguir mudar algo assim se desde que me conheço por gente, literalmente, o que eu quero não é levado em consideração? Se no fim, depois de eu fazer o que querem, eu sou recompensado de alguma maneira?

Eu posso chorar em cima de um palco, me mijar todo, ser absolutamente humilhado... Mas aí eu ganho um brinquedo no final. Tudo bem, né?

A resposta talvez esteja no fato de que algumas coisas não me recompensam mais. Por exemplo... máscaras. Pra colocar a cara pra fora de casa é necessária uma, então comprei várias. Nenhuma -- eu disse NENHUMA -- me serve. Além dos problemas de puxar e apertar a orelha em alguns modelos, em outros tem os problemas de ou cobrir bem a boca / queixo, ou cobrir bem o nariz. E aí tem o óculos embaçado, o elástico pequeno...

Eu sou grande. Minha cabeça é enorme, bonés raramente me servem, por exemplo. Não tenho como emagrecer a cabeça, já eliminando um argumento que já cansei de ouvir quando questiono a falta de roupas grandes por aí. Nem uma porra de uma caralha de uma máscara me serve. Eu preciso, se tenho de fazer coisas essenciais, me adequar ao outro. Me sentir horrível, ridículo, menor, invisível por ser quem eu sou.

Bicho... É muito, MUITO difícil não desistir.