Essa semana na terapia eu falei mais que ouvi pela primeira vez em MUITO tempo e acabei indo pra um momento muito específico de mais de 30 anos que eu lembro como se fosse hoje.

Foi engraçado e triste.

Eu tinha acabado de escovar os dentes, usando até aqueles elefantinhos que você colocava a pasta e usava pra apertar, pendurados na parede. Saí todo feliz pra contar pros meus pais que, apesar de me parabenizarem, me fizeram escovar de novo.

Fazia até sentido. Criança não curte muito a questão de tomar banho, escovar dente, e eu de fato poderia ter tentado ENGAMBELÁ-LOS. Mas não foi o que eu fiz... E essa se tornou a primeira lembrança de algo que eu fiz, que eu disse, e que não foi levado a sério como deveria; que duvidaram de mim; que me fizeram crescer querendo sempre que acreditassem em mim, que eu fosse ouvido, que eu fosse bem quisto. Que me fizeram sempre duvidar de mim, ser ridiculamente perfeccionista... Enfim.

Nessas horas eu só me sinto mais cansado. Eu olho em volta, gosto do que vejo, tanta gente, tantas coisas, tantos caminhos... mas quando eu foco dentro de mim, cansa. Me irrita, me faz genuinamente mal. Me faz questionar tudo. Me faz não gostar de mim.

Tenho aprendido que quando eu me vejo sozinho, num dia ou numa situação, é porque eu tou olhando pra dentro. Aqui não tem ninguém pra fazer nada e eu preciso lidar com isso. Aprender a lidar com isso. Eu fico querendo alguém pra conversar, alguém pra me dizer que vai ficar tudo bem, que tá tudo bem.

Mas a verdade, dolorida, é que sou eu que tenho que falar tudo isso. Eu preciso existir, me posicionar. Só assim pra deixar de me sentir e enxergar sozinho. Eu preciso falar. Eu preciso CONSEGUIR falar. Eu preciso ultrapassar essa barreira e falar. Eu preciso jogar limpo comigo. Eu preciso tirar anos e anos de pedras sem colocadas em cima de mim pra poder simplesmente EXPRESSAR o que eu quero.

Eu tou bem cansado. Em não tou gostando de mim. Nem um pouco.