Perguntei outro dia que adjetivo eu poderia usar no caso de uma pessoa que se dá mais importância do que realmente tem e a resposta foi "paunocu". Eu, porém, estava querendo escrever sobre mim e achei que talvez não fosse o caso de me chamar de paunocu. Até porque eu nem tou me dando tanta importância assim... Mas acho que nada encaixa melhor, então vamo lá.

Não querendo ser paunocu e me comparar com Alan Moore, o que até poderia fazer algum sentido já que nascemos no mesmo dia (com alguns anos de diferença, claro), mas essa entrevista que ele deu ao El País e que repercutimos no JUDAO.com.br é exatamente como eu me sinto em relação ao mundo da criação de conteúdo onde, por muitos e muitos anos, eu acabei me encaixando -- ainda que nunca me visse dessa maneira.

Começamos o ano do JUDAO.com.br, como sempre, num dia 08 e, como quase sempre, com um editorial sobre os próximos e os atuais passos do site -- passos esses que, em 2020, podem acabar sendo os últimos. Se não atingirmos, na nossa campanha no Catarse, a meta que permitiria nos dedicar com muito mais tempo e atenção ao JUDAO.com.br (ou simplesmente "nada além do que um trabalho de 20 anos merece"), colocaremos um ponto final nessa história.

Tem sido muito legal ver leitores compartilhando o texto, o aumento de assinantes, o empenho do meu parceiro e amigo Thiago Cardim... Mas, pra mim, tem sido muito difícil em não encarar o fim. Em não me dedicar nesses próximos seis meses a todos os assinantes, a todos que de alguma maneira fizeram o site chegar onde e chegou.

Pra mim, tem sido muito difícil até, de certo modo... Me importar. Porque, assim como Alan Moore, eu vi as coisas por dentro por tempo demais. Eu vi e ouvi muita coisa durante muito tempo pra que, depois de 20 anos, ainda sinta aquele chamado TESÃO em continuar fazendo as coisas pra participar de um jogo que eu, sinceramente, não sei se eu quero.

Quer dizer... Eu não quero. E eu não vou. Um jogo cheio de cartas marcadas, cheio de ARTIMANHAS, cheio de jogadas sujas, cheio de gente que não sabe jogar, mas é dono da bola e o resto que lute. E é por isso esse ultimato: ou a gente consegue fazer o que a gente acha que é certo, da maneira que a gente acha que é certo, enquanto consegue pagar todas as contas AND a cerveja do final de semana, ou a gente para e deixa o mundo seguir.

Então, se você quer participar dessa história com a gente, vai lá no Catarse.me/JUDAOcombr e assine, a partir de $5. Se não... Foi bom enquanto durou. Mas... Tem outros sites, né? ;)